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A menina que roubava livros

Markus Zusak

O autor Markus Frank Zusak é um escritor australiano que ficou famoso pelo best-seller internacional "A menina que roubava livros".

"Nós temos essas imagens das marchas em fila de garotos e dos 'Heil Hitlers' e essa ideia de que todos na Alemanha estavam nisso juntos. Mas ainda havia crianças rebeldes e pessoas que não seguiam as regras e pessoas que esconderam judeus e outras pessoas em suas casas. Então eis outro lado da Alemanha Nazista", disse Zusak numa entrevista com o The Sydney Morning Herald.


Nesse drama seguimos a trajetória da pequena Liesel Meminger, e quem nos conta sua história é uma narradora mórbida, simpática. Durante sua passagem pela Alemanha de 1939, a Morte encontra-se com nossa protagonista numa estação de comboio enquanto o seu irmão mais novo é enterrado próximo ao local.

Ali, acontece o primeiro roubo, quando ao perceber que o coveiro deixara cair um livro: O manual do coveiro na neve, a menina não perde tempo e leva-o consigo até a cidade fictícia de Molching, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943.


A obra foi publicada em 2005 pela editora Picador. No Brasil foi lançado pela Intrínseca. E a adaptação da obra para os cinemas se deu em 2013 pela Fox.


Liesel Meminger é uma garota alemã que vê sua vida mudar após sua mãe ser considerada uma comunista, e por intermédio do Governo é destinada a adoção. A caminho da sua nova cidade Molching, Liesel tem que enterrar seu irmão. Chegando em Molching, Liesel foi entregue à família Hubbermann.

Podemos acompanhar de fundo o cenário da Alemanha Nazista. Liesel consegue a façanha de escapar três vezes da Morte. Temos também Hans Hubbermann, o pai adotivo que alfabetiza a menina, Rudy Steiner seu vizinho e Max Vanderburg, um judeu que tenta escapar dos nazistas e acaba escondido no porão dos Hubbermann.


Os personagens são civis em sua maioria não explorando muito a parte histórica da época em questão. E nos faz despertar sentimentos de pena e tristeza diante das situações vividas, expondo nossa humanidade e fragilidade. É fácil, por exemplo, se apaixonar pelos pais adotivos de Liesel, Rosa e Hans Hubermann. Hans se mostra um pai maravilhoso, amoroso e compreensivo. O autor descreve com muita delicadeza o laço familiar que vai se construindo durante a trama.


A escrita narrativa do autor é simples e muito bonita, leve chegando a ser poético. O que faz com que mergulhemos a fundo na trama e nos apeguemos tanto aos personagens. O livro é dividido em acontecimentos episódicos, dando ao leitor detalhes de uma vida ingênua dentro de uma guerra cruel e destruidora. O cotidiano simples apresentado no livro serve de certa forma para mascarar quão profunda era o contexto existente de quem vivia naquela época, até mesmo dos cidadãos alemães, sendo um poço repleto de várias intenções. O autor conseguiu transmitir o quão terrível foi a guerra, até mesmo para uma criança que vivia afastada do centro dela. Podemos dizer que o livro fugiu do comum, narrando a perspectiva das crianças alemães que viveram durante o período.


O ambiente gélido da Alemanha nazista, pisoteada por Hitler, nos faz prestar atenção ao significado das três cores de preferência de nossa carismática narradora: o vermelho, que representa as guerras, o ódio e ao mesmo tempo é símbolo do sangue que corre nas veias e traz vida; depois o branco, cor neutra e que nos dá paz, e por fim o preto: a escuridão da morte.

“Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Pra mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: ‘Apronte logo isso, apronte logo isso.'"


O motivo de a Morte escolher justamente a menina alemã que tinha acabado de se separar da sua mãe para um família adotiva para contar sua história não é à toa. Elas tem muito mais em comum, do que a gente pode perceber. O fruto do roubo de ambas era-lhes precioso: uma roubava livros, a outra, vidas. Os livros roubados pela menina eram de uma importância singular, pois, as palavras aprendidas a cada nova leitura eram a sua salvação e escape da tão temida morte.


''Uma última nota de sua narradora: Os seres humanos me assombram.''


Posso dizer que o livro A menina que roubava livros para mim trouxe uma nova maneira de encarar experiências de leitura que me agregou tanto como pessoa e leitora, foi totalmente inspirador. Esse livro nos ensina o poder que as palavras podem ter e a magia que elas transmitem. O trabalho tão impactante do autor Markus, consegue nos fazer refletir e nos emociona. Uma leitura fácil, prazerosa, que flui facilmente e que soube me deixar aflita nos momentos certos. Por saber que tudo acontecia em meio a uma guerra o resultado seria devastador para muitas famílias.


E o que acharam da primeira resenha e um livro importante para mim?

Comente qual outra resenha você gostaria de ver por aqui.

Um beijo grande e até a próxima.


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